sábado, 28 de janeiro de 2012


As últimas postagens trazem como conteúdo a influência das gravuras europeias sobre a pintura produzida no Brasil a partir do século XVIII. Um período tido como capital para uma arte genuinamente brasileira. Tempos em que as paredes e tetos das igrejas passaram a ser cobertos por uma pintura de caráter mais nacionalista, com maior apuro técnico e intenção política. Porém, ainda assim, tais pinturas estavam irraigadas numa cultura europeia, uma vez que, as matrizes eram gravuras produzidas no Velho Continente. Então: Quem era o autor dessas imagens que passaram a povoar o imaginário brasileiro?

Para entender o alcance dessas imagens é preciso saber quem foi Christophe Plantin (1520-1589). Plantin nasceu em Saint-Avertin (França), em 1520. Comandou a maior tipografia europeia ocidental da segunda metade do século XVI. Em 1570 recebeu do rei Filipe II, para quem imprimiu a "Bíblia Régia" (1568-1572), o título de “Arquetipógrafo Real”. Foi o principal impressor de gravuras católicas. Espalhou pelo mundo missais, breviários, Bíblias e outros impressos. Faziam parte de sua equipe Hieronimus Coock (1507-1570), Martin de Vos (1532-1603), Jules Sadelers (1550-1610) e os irmãos Wierix_ destes últimos a Biblioteca Nacional possui obras. Foi a partir da iconografia criada por Plantin e seus parceiros que o Brasil pintou sua fé e sua arte na época da Colônia.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


A gravura acima, em preto e branco, é parte integrante da Bíblia de Demarne.  "A visita dos anjos a Abraão" ilustra o texto bíblico sobre quando os anjos se hospedaram na casa de Abraão. Em seguida, colorida com uma paleta de cor composta de tons em ocre e azul, o pintor mineiro Mestre Athaíde faz uma releitura da obra original. A pintura pode ser vista no painel lateral da capela-mor da Igreja de São Francisco, em Ouro Preto (MG).
Fonte: Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Ata%C3%ADde. Consultada em 25/01/2012, às 22h27.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

MANOEL DA COSTA ATHAIDE (1762-1830): Abraão oferece hospitalidade aos três anjos, c. 1799. Pintura sobre madeira à maneira de azulejo. Ouro Preto, Igreja de São Francisco de Assis, capela-mor

Há quem considere a existência de uma arte brasileira pré-cabralina. A história aponta as cartas de Caminha como o texto inaugural da literatura brasileira. Mas é consenso que uma arte tipicamente brasileira só apareceria após o Barroco. Isso por volta do século XVIII. É quando a Igreja, nas ondas do expansionismo marítimo e no fervor da Contrarreforma chega com força às Américas. Riquezas como o açúcar e depois o ouro financiaram o movimento missionário cristão. As catedrais e matrizes passam a exigir uma decoração especial. As reduções indígenas cederam lugar às vilas. Nasciam os primeiros núcleos urbanos. Os selvagens pagãos se converteram em colonos piedosos. Os cristãos do novo mundo precisavam ser educados na fé. Para isso as imagens serviriam bem.

As imagens de gravura possuíam uma espécie de auréola sagrada. Detinham um poder de verdade. As gravuras eram tidas como uma transfiguração do ser santificado. Inúmeras vezes elas serviram para “(...) levar incautos às garras do Santo Ofício (...). Consta nos autos da primeira visita da alta cúpula do Santo Ofício à América a história de Álvaro Sanches. Diz lá que o colono foi punido por, vinte anos antes, ter “picado” com alfinete a gravura de uma Nossa Senhora. Os primeiros habitantes tinham dessas imagens em casa a fim de manifestar a fé católica. No entanto, as gravuras atendiam mais ao interesse católica de evitar desvios na fé, “(...) uma preocupação constante na doutrina da Igreja, principalmente a partir do Concílio de Trento (1545-1563)”. Daí a preocupação com pinturas que recorressem às gravuras a fim de “(...) apresentar com clareza a mensagem a ser transmitida”.

Naquele contexto cristão os impressos litúrgicos e teológicos eram de grande serventia não somente espiritual, mas também artístico, “(...) serviam como caminho para transportar imagens renascentistas para as paredes (… e) auxiliar pintores na América portuguesa a não infringir dogmas católicos”. Assim, os primeiros artistas genuinamente brasileiros não tiveram outra alternativa senão recorrer às gravuras circulantes à época como referência para suas obras. Desde então, as paredes foram cobertas de tintas e telas que retratavam temas ligados à fé católica. O talento dos pintores coloniais muito contribuiu aos interesses da Igreja Oficial.

Fonte de pesquisa:
BORGES, Silvia Barbosa Guimarães e SOUZA Jorge Victor de Araújo. Espelho da fé: A grande produção de gravuras religiosas a partir do século XVI. 13/jul./2007. Disponível em: . Acesso em 30/10/2011, 9h30.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012


Pintura mural na Igreja Evangélica Congregacional de Mazomba, em Itaguaí (RJ). Fui convidado a executar esta pintura em fins da década de 1990. Utilizei tinta PVA, obtendo as cores por meio de misturas e corantes. O trabalho, ainda que um tanto primário, apresenta noções de perspectiva. Note o caminho que, apesar de rígido, propõe um afinamento à medida que se distancia do observador. Outra recurso na tentativa de perspectiva é o tamanho das ovelhas. aquelas mais próximas são maiores. Quanto às cores perdomina o contraste entre verdes e laranjas. A vegetação em matizes de verde contrastam com o caminho em tons quentes de amarelo alaranjado. Nas montanhas mais distantes, em azul, foi intenção buscar a interferência da atmosfera. Em termos de composição, o primeiro plano é cortado ao meio pelo ritmo ziguezagueado do caminho. Ao fundo, o horizontalismo das montanhas, bem acima da metade geométrica do plano, introduz uma tensão visual ao quebrar o ritmo anterior. A figura humana do pastor é quase passa despercebida. A cena apresenta um desequilíbrio para a esquerda. Talvez uma árvore ou outro elemento no campo à direita resolveria o problema. A imagem é cópia de uma pintura contida em uma publicação da qual não tenho lembrança. Àquela época este recurso muito me ajudava.  Foi dessa forma que iniciei na pintura. Se os grandes mestres da pintura aprenderam executando cópias nas salas do Louvre ou outro grande museu, eu aprendi folheando livros. Hoje, executaria esta obra por outras vias e maneiras. Uma forma mais adequada seria a releitura e não a cópia. Assim, esta obra se faz importante para mim e para um estudo das pinturas murais protestantes.

Marcelo Amaral Coelho


domingo, 22 de janeiro de 2012

Ponte de Pedra/Rembrandt (Estudo)
Óleo sobre cartão
2011
Marcelo Amaral (M. Coelho)

Em “Paisagem desconstruída_ Mostra revela que não há forma natural de ver, mas maneiras distintas de perceber” (O Globo/Segundo Caderno, p. 04, 16/01/2012), Marisa Flórido tece uma crítica à exposição “Lugar Comum”, em que o artista Carlito Carvalhosa mostra suas obras na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema (RJ). Obras compostas de instalações onde o artista explora o espaço, a luz, a transparência e outros conceitos.

Marisa Flórido introduz o texto lembrando a especulação imobiliária que alça elevados preços para as construções da região. Escreve ela: “A paisagem, mais do que símbolo do Rio, interfere no jogo especulativo do mercado imobiliário e turístico”. Dentro do contexto artístico, lança um olhar sobre o 'nascimento' da paisagem. Revela: “(...) essa pequena palavra, 'paisagem', foi usada pela primeira vez no vocabulário das artes, segundo Louis Marin, em 1521, por Mar-Antonie Michiel, referindo-se à 'A tempestade' (1508), de Giorgione”. Lembrando o anonimato da paisagem entre os gregos e romanos, diz que a paisagem “(...) surge com a perspectiva pictórica, constituindo-se como gênero artístico apenas no Renascimento”.Quando Leonardo e seus contemporâneos passam a ver o mundo com outros olhos, a paisagem passa a ser representada com mais profundidade.

Essa nova forma de ver permite que se faça um recorte do mundo. Um recorte que só seria possível a partir de um outro plano. “Para sua representação, seria necessária a janela, (…) artifícios de mediação deveriam ser invisíveis e transparentes, para que a paisagem se mostrasse como um equivalente visual da natureza. O que estava implicado era a própria naturalização do olhar”. Essa janela não poderia deixar de ser outra senão os olhos do homem.

Flórido coloca o homem como agente ativo nesse processo. Para ela, se trata de uma relação de interdependência. “Afinal, a noção de paisagem é indissociável desse animal orgulhoso que se pôs na vertical, que submeteu os horizontes do mundo a seu olhar e a sua medida, a um ponto de fuga na altura exata de sua contemplação. A paisagem ancorava-se no olhar desse sujeito humanista, para ordenar os espaços e reunir no horizonte a dispersão”. Não à toa, depois de criar o Homem, Deus delegou-os tal responsabilidade. Disse Deus: “E Deus os abençoou, e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gênesis 1.28).

A paisagem é vista como um correspondente do olhar. Está nas entrelinhas a relação homem-olhar-paisagem. Ao transpor para a tela, por meio de traços e cores, um recorte de paisagem, o artista está compartilhando sua visão de mundo. Termina Flórido: “'Lugar Comum' nos revela que sistemas perceptivos, culturais, ideológicos subjacentes emolduram a vida e o pensamento do mesmo modo que o retângulo da pintura pode circunscrever o olhar”.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012


Era só o que faltava: A mídia se escandalizar com um caso de estupro, assédio... Sei lá o quê no BBB! A considerar todas as edições anteriores, o que esperar de um programa com aquele nível de qualidade? Ficam algumas questões para refletir:

1- É tão inesperado tal acontecimento num programa de personagens bem definidos? Em linguagem dramática, ainda que o programa não esteja dentro da definição, estudiosos chamam a artimanha de "tipificação". Ou seja, os 'atores' são escolhidos para papéis específicos.

2- Quem gerencia o programa? Está se falando de uma organização_ emissora seria pouco_ considerada mundialmente por sua capacidade de produzir novelas. Se Aristóteles falava de 'verossimilhança', a TV brasileira, por vezes, prega o engano, a manipulação?

3- Seria o caso de um projeto político por detrás das câmeras? Há que se levar em conta que em outras edições houve o pobre, o sentimental, o homossexual... Questões sociais vieram à tona por meio de "uma espiadinha". Agora o assunto é "Assédio sexual".

4- Qual será o desfecho dessa história?

5- Você perde o seu tempo vendo programas dessa natureza?

domingo, 15 de janeiro de 2012

sábado, 14 de janeiro de 2012


A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) 2012, que terá como homenageado o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, já tem data definida. Os livros ocuparão a cidade histórica de Paraty entre os dias 04 e 08 de julho.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cartaz da 1ª Bienal de SP, em 1951

Já foi divulgada a data para a 30ª Bienal de Arte de São Paulo. O tradicional evento de arte acontecerá entre setembro e dezembro de 2012. O tema para esta edição é “A iminência das poéticas”. Dentro desse conceito estão os filtros_ eixos temáticos. São eles: Alterformas, Derivas, Sobrevivências,Vozes (zonas curatoriais) e Reverso ( zona transversal). A curadoria está a cargo de Luis Pérez-Oramas auxiliado pelo gaúcho André Severo, o alemão Tobi Maier e Isabela Villanueva. A ideia central é explorar as múltiplas formas de discurso existente na atividade artística.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) abriu nesta segunda (09) as inscrições para o processo seletivo de 25 vagas do curso de Belas Artes oferecidas no 1º semestre letivo de 2012, no período noturno. O candidato deve se inscrever pelo endereço eletrônico www.ufrrj.br/concursos, onde também encontra o edital completo.
O processo seletivo é dividido em duas etapas: a primeira é a análise do aproveitamento do resultado obtido pelo candidato no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), realizado em 2011, e a segunda etapa é a aplicação dos Testes de Habilidade Específica (THE), que será realizada no dia 01 de fevereiro.
As inscrições seguem até o dia 22 de janeiro, sendo que os candidatos tem a opção de assinalar por uma Ação Afirmativa, seja a cota, que destina 10% das vagas dos cursos de licenciaturas para professores da rede pública de ensino ou o bônus, que consiste no acréscimo de 10% sobre a nota final obtida no Enem para alunos que tenham cursado do sexto ao nono ano do ensino fundamental e do primeiro ao terceiro ano do ensino médio integralmente em escola pública, excluídos os candidatos que tenham cursado qualquer uma dessas séries em escolas privadas com bolsas parciais ou integrais.


* Licenciatura em Belas Artes: inscrições abertas. Disponível em http://www.ufrrj.br/portal/modulo/home/noticia.php?noticia=2659. 10/01/2012. Consultado em 11/01/2012, às 17h12.
 

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